domingo, 4 de março de 2012

A realidade da Educação de Jovens e Adultos em Salvador

A realidade da Educação de Jovens e Adultos em Salvador
Daniela Rosa da Silva


Nos últimos anos, devidos aos inúmeros projetos voltados para a erradicação do analfabetismo no Brasil, cada vez mais jovens e adultos têm procurado as escolas com o objetivo de melhorar a sua qualidade de vida e também, para atender aos perfis exigidos pelos mercados de trabalho.
Muitos desses alunos passaram anos sendo reprovados pela escola até evadirem, outros, abandonaram-na cedo demais por que tiveram que precisavam trabalhar, enquanto outros, nem sequer chegaram a adentrar às suas salas de aula. Quando retornam à escola depois de adultos, voltam com o  por que o mercado de trabalho exigiu, por que a luta pela sobrevivência se torna menos cruel quando se tem um ano a mais de estudos no currículo. Assim, os alunos da EJA retornam à escola ainda meio envergonhados, num espaço que não é seu, num lugar que ele não sente como seu.
O aluno da EJA é, por diversas razões, um aluno especial, com especificidades próprias em tudo diferente do aluno regular. E o que o distingue não é o turno de estudo, mas sim a forma como se constituiu a sua relação com a escola, com a aprendizagem e com o ensino formal.
O aluno da EJA é, por diversas razões, um aluno especial, com especificidades próprias em tudo diferente do aluno regular. E o que o distingue não é o turno de estudo, mas sim a forma como se constituiu a sua relação com a escola, com a aprendizagem e com o ensino formal.
Por todas essas questões é que o trabalho do professor de jovens e adultos precisa ser o de conquistar e reconquistar o seu aluno a cada dia, mostrando-lhe a importância da escola, provando-lhe que ele tem direito a estar  naquele espaço e a receber educação de qualidade. Mais do que ensinar a ler e a contar, o professor precisa despertar esse aluno adulto que vem com uma enorme bagagem de vivências e experiências, a importância da leitura e da escrita enquanto instrumento de luta política, enquanto instrumento de busca por seus direitos enquanto cidadão.
Os alunos da Educação de Jovens e Adultos precisam saber qual é, de fato, qual a função social da escola e são os professores os responsáveis por mostrar-lhes essas funções.
Trazer o mundo para a sala de aula e, a partir dele, promover aprendizagens significativas é o papel do professor da EJA. Sim, mas, e o meu papel enquanto coordenadora, orientadora do trabalho pedagógico desse professor; como fica? Que lugar é esse que o coordenador ocupa?
O que tenho percebido é   que, talvez, o que tenho de mais importante a ensinar é a importância da motivação, da não infantilização do aluno adulto e da contextualização do planejamento pedagógico.
Muitas vezes os professores elaboram ótimas atividades didáticas mas que terminam tendo um fim em si mesmas por que não conseguem transformá-las em boas situações de aprendizagem para o aluno. Não conseguem perceber que a intervenção adequada é o que faz o aluno sair da zona de desenvolvimento proximal para ir para a zona de desenvolvimento real.
Boas situações de aprendizagem fazem com que professores e alunos percorram juntos um caminho de construção e expressão de conhecimentos. Ele, compartilhando experiências e saberes, ela, dando-lhe voz e intervindo em seu modo de pensar através de perguntas e questionamentos, fazendo-o pôr a prova tudo o que sabe sobre o assunto. A construção do conhecimento é sempre uma via de mão dupla.


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