quinta-feira, 15 de março de 2012

O que é mesmo educação?



O que é mesmo educação?
Daniela Rosa da Silva

(...) quando estamos lidando com o saber e o aprender, o que se vive é um cuidadoso e lento trabalho de lidar com momentos inesperados da experiência de vida de cada pessoa educanda. De olhar nos olhos uma gente que não raro precisou esperar mais da metade da vida para ser aceita em um banco de escola.
BRANDÃO, 2002

Ao contrário de uma falsa filosofia de aprender para a vida, aprender a ser, a conviver, e etc e tal, mas que se resume a uma lógica mercadológica  baseada numa competitividade cruel e atroz, que atropela, massacra e massifica, que tem a preparação para os vestibulares como fim único do processo educativo (não que isso também não seja importante, mas acredito que a educação formal é muito mais que isso), a filosofia implícita no fazer educacional da EJA é baseada numa outra perspectiva. Suas portas realmente estão abertas a quem queira entrar. A quem deseje entrar e não por mérito, mas por necessidade de vida. Temos então, na EJA, a mudança de uma lógica individualista, para uma verdadeira lógica do aprender com o outro.
Talvez por isso esse espaço termine se tornando um espaço de tantos significados para o educando. Ele não é o espaço apenas em que se aprende as primeiras letras, mas é o espaço em que se faz amigos, e espaço de socialização e de aconchego também. Elementos importantes para esse aluno que construiu uma relação tão antagônica com a escola porque, na maioria das vezes, foram excluídos do sistema educacional por diversos fatores: por precisarem abandonar a escola para trabalhar, por que não conseguiam acompanhar as aulas, por que apresentavam dificuldades, porque moravam na zona rural, e outras tantas razões.
Então, a sala de aula da EJA torna-se, por excelência, espaço da diversidade. Diversidade étinica, religiosa, de idade, numa mesma sala de aula convivem juntos alunos de 15 a quase 90 anos a depender da localidade; diversidade sexual, política, temos adolescentes, pais e mães de família, trabalhadores, alunos com necessidades educativas especiais.
Acredito que a “grande sacada” do professor da EJA é conseguir reverter o pensamento hegemônico tradicional que veria apenas o lado negativo de tamanha heterogeneidade em sala de aula e conseguir elaborar um planejamento didático que consiga considerar os aspectos positivos de se aprender com as diferenças/heterogeneidades que inicialmente marcam uma dificuldade de trabalho, em potencialidades. Acredito que é essa capacidade de considerar as diferenças e partir dessas realidades que vai determinar o sucesso ou fracasso da turma.

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