quinta-feira, 15 de março de 2012

O ensino da Matemática na EJA


O ensino da matemática na Educação de Jovens e Adultos

Daniela Rosa da Silva


A ideia geral que o professor da EJA tem, é que o ensino da matemática não se inicia, para o educando adulto, quando ele ingressa num processo formal de ensino. E ele está absolutamente certo. Ao longo de toda a sua vida, o educando adulto esteve imerso no mundo e na cultura matemática, realizando compras, fazendo pagamentos, recebendo salários, passando troco, comprando, vendendo, revendendo, pagando conduções, enfim, vivendo e interagindo num mundo repleto de operações matemáticas.
Entretanto, embora detenha todo um saber prático advindo da experiência, o indivíduo alijado da escolarização e do saber sistematizado, muitas vezes é obrigado, no confronto com suas necessidades cotidianas, a adquirir saberes que lhe instrumentalize, que lhe capacite à superação dessas necessidades.
E, num movimento ambíguo e contraditório, ao mesmo tempo em que sua situação nas relações sociais de produção lhe exige a aquisição desse saber, essa mesma situação termina por se constituir em impedimento à escolarização, ao acesso às formas, mas elaboradas de conhecimento matemático.
Essa situação termina por causar um choque no sujeito ao perceber que o seu saber não é reconhecido pela escola, então ele passa a negar que sabe. Nega a existência de qualquer saber matemático.
 Percebe-se então, o desenvolvimento de um processo contraditório vivido pelo aluno e nem sempre percebido pelo professor, que ainda não conseguiu, de fato, ter a realidade do aluno e o seu saber como ponto de partida para o processo de ensino.
Daí conclui-se que é preciso, mais do que nunca, a superação, da incorporação do conhecimento que o educando já tem e não que meramente justaponha ao que o indivíduo já sabe aquilo que ele não sabe e precisa saber.

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